Fragmentos

Confinamento ou abertura?

E aí, manter o confinamento ou abrir de vez?

Algumas ponderações.


1. Nossa decisão pelo confinamento não foi ponderada, baseada no recurso a modelos matemáticos, mas resultou do pânico (não irracional, de todo modo, como se vê em 3) e mostrou-se imitação precária (no ocidente) do que se fez na origem do problema (na China).


2. Recurso a modelos matemáticos a fim de “ponderar” a decisão tem sido racionalização pós-fato: vem da tranquilidade de seguir “cientistas”, como há pouco seguíamos os xamãs e outros do tipo. “Previsão” de comportamento futuro de eventos complexos é chute.


3. Nossa permanência em confinamento pode ser justificada, de novo, não com apelo a modelos matemáticos, já que o comportamento futuro do vírus é incerto. Ela pode ser justificada justamente porque desconhecemos o comportamento futuro do vírus e porque há ocorrências históricas de epidemias catastróficas (se ocorreram, são possíveis). Daí o apelo ao princípio de precaução.


4. Agora o ponto crucial: não estamos vivenciando apenas um enorme desafio de saúde pública, mas o colapso de enormes bolhas financeiras internacionais, em grande medida decorrente da fragilidade do sistema, por sua vez ao menos parcialmente causada pela arrogância epistêmica dos “cientistas econômicos” que infuenciam os governos e/ou comandam os bancos centrais.


5. E o que fazer agora: manter o confinamento ou abrir as portas ou algo entre? Aqui o impasse: não estamos diante apenas da incerteza decorrente do colapso na saúde pública (sem confinamento), mas por igual daquela resultante de possível e iminente caos econômico e social (com confinamento indefinido), sobretudo nos ditos países de terceiro mundo pra baixo. Como sair do impasse?


6. A própria indecisão crônica de nossos governos, carentes como são do grau mínimo de ética política, sugere que a resposta virá de novo do pânico.

Atacama

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