Fragmentos

Somos todos virologistas

  1. O vírus nos apequenou.
  2. Em pânico, corremos para os virologistas. Todos viramos virologistas, o olhar focado no vírus.
  3. A verdade não é mais o todo, a verdade é o vírus.
  4. Ou melhor,  nós somos a verdade para o vírus. O objeto tornou-se sujeito. Nós somos o alvo da sujeição.
  5. Nada de sociologia, de psicologia, nem de política; da filosofia, então, deus nos guarde.
  6. Somos todos virologistas.
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A Contemplação do Mundo (2018)

A gente observa a aproximação profundamente antiética ao problema da política pela esquerda liberticida, à beira da autodissolução, e se pergunta qual a sua raiz.

Pois bem, a raiz algo longínqua, ainda na origem da modernidade, é o espinosismo (mais do que o maquiavelismo), e sua identificação crua entre direito e poder.

A raiz próxima, em seqüência ao colapso do marxismo, é a dialética negativa, a dissolução da substância única em totalidades fragmentadas e dissipativas, quer dizer, a dissolução do espinosismo em niilismo.

Este processo de decadência tem duas fases: 1) Indiferença à liberdade (à abertura da coerência a seus múltiplos modos); 2) indiferença à própria coerência.

As pessoas, que não são bobas, sentem na própria pele o veneno do niilismo, e se lançam de braços abertos aos políticos de “direita”.

Não me parece ser um processo de curto prazo. Que venha com ele o colapso da própria briguinha infantil entre “esquerda” e “direita” e desapareça de vez o fantasma caquético da revolução francesa.

Trancoso

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